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2 de agosto de 2012

CORPO MANIFESTA EM CURITIBA



No processo de produção das primeiras ações da Plataforma Descontrole Remoto, quando eu finalmente consegui confirmar minha ida à Curitiba, recebi o convite do Fernando Ribeiro para compor a programação do p.Arte de julho. Este é um evento mensal produzido e com curadoria de Fernando Ribeiro e Tissa Valverde, dois performers curitibanos que decidiram movimentar sua cidade com performances periodicamente. O evento que aconteceu no dia 27 de julho foi a terceira edição do p.Arte que dividi com a performer holandesa Ieke Trinks, que apresentou um trabalho bem descontraído em oposição ao meu (hehehe).
A performance que apresentei ao Fernando como proposta para o p.Arte foi a Corpo Manifesta, que apenas tinha realizado uma vez e tinha a imensa necessidade de reorganizar, reperformar, reescrever. Após o convite me dediquei a pensar como o manifesto que fazia tanto sentido no meu contexto pudesse fazer sentido por lá também e, como na vinda do Angelo houve muitos comentários sobre a questão do fascismo, neonazismo e skinheads em Curitiba e como eu iria dividir a noite com uma holandesa, fiz algumas mudanças no manifesto e nas imagens do vídeo que eu uso na performance.
O manifesto, a cada linha que eu reescrevia, se tornava cada vez mais visceral, mas escrito no meu próprio corpo e procurei trabalhar estas questões na performance que vocês podem ver no link abaixo. Foi maravilhoso dividir a noite e conhecer Ieke Trinks para perceber as diferenças de pensamentos, de contextos e como esses fatores influem nas performances que fazemos, mais um contato a ser cultivado.


PERFORMANCE DE CHRYSTINE SILVA:  http://vimeo.com/46775447
PERFORMANCE DE IEKE TRINKS: http://vimeo.com/46873049


ENCONTRO EM PAISAGENS NORDESTINAS

Durante a produção da vinda do performer curitibano Angelo Luz para Natal, um único pedido que nos foi feito foi que o levássemos para as Dunas de Genipabu para a gravação de uma vídeo-performance baseada na intervenção da  figura envolta em um tubo de tecido preto que ele constrói em seus trabalhos, neste espaço natural.Fomos às dunas, foi maravilhoso enquanto experiência pessoal desde os momentos de travessia entre as Dunas, o medo ao ouvir o barulho do bugre, a escalada bem recompensada pela água de coco que parecia retirada de uma miragem. Ao encontrar o espaço propício para a filmagem, nos preparamos para Angelo fizesse sua performance, tripé, câmeras, pilhas, tudo pronto. No momento em que aquela imagem surgiu dentre a vegetação e foi tomando o espaço das dunas com suas ações, brigando com o vento, me saltou aos olhos a relevância da ocupação daquele lugar. Os pés na areia resgatam algo de natural e a confusão de cores entre a linha do mar e do céu parece quase uma pintura extremamente realista de um paraíso. As ações ali realizadas por Angelo Luz, André Bezerra e por mim me passaram justamente esta impressão de descoberta desses seres estranhos àquele espaço que foram criados naquele exato momento a partir da sensação que as condições do espaço nos impunha. Partindo desta experiência, estamos nos organizando para a criação de um projeto de interações estéticas baseado no encontro de nossos corpos. O vídeo poderá ser visto em breve, por enquanto, vamos nas fotos tiradas por Yuri Kotke.

REMOTO CONTROLE

A maneira como o projeto me foi apresentado já demonstrava uma postura extremamente profissional e responsável diante da proposta que ousava pensar uma interação entre os contextos artísticos de Natal e Curitiba. Apresentei a proposta aos integrantes do Coletivo, conversamos, debatemos e ficou claro o interesse de todos na participação desta plataforma. Seguimos o contato por meses, na organização dos materiais necessários para o envio do projeto, nos mal-entendidos da comunicação à distância, nas primeiras impressões sobre pessoas com as quais teceríamos mais tarde uma forte relação de performance e amizade. Aprender a viver juntos, à distância.

Depois do trabalho aprovado, produção. Um ritmo frenético de planejamentos e organização de horários, tabelas, cronogramas, idealização de lugares e pessoas que eles poderiam conhecer. Disse aos meninos do Coletivo, "podem deixar que eu organizo isso", a mesma mania de sempre. Eu, que antes era ponte entre curitibanos e natalenses, já durante a produção tratei de colocar todos no mesmo espaço, virtual.

Foto: Yuri Kotke